segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Filhos da morte burra

Jovens sem nenhuma utopia


Caminham tensos pelas ruas de suas casas velhas

Sem nenhuma luz, sem nenhuma luz de Fernando Pessoa

Fechados nas sexuais telas da impotência

Se masturbam contemplando corpos em decomposição!

Norte da minha fé,Onde estavam o beija-flor e o arco-íris

Na hora do nascimento dessas criaturas?

Quantas gotas de flor restam nos corredores dos céus

De vossas bocas?

Quais fontes clamam por vossos nomes?

Eu entrando na virtuosa idade

E eles entrando em idade nenhuma.

Os filhos da morte burra cheiram o branco pó da anemia

Esqueceram que um dia tocaram na poesia da transgressão

Em pleno ventre de suas esquecidas mães

Esqueceram de colar o ouvido ao chão

Para ouvir as ternas batidas do coração das borboletas.

Os filhos da morte burra jamais levantam uma folha para conhecer o amor dos insetos

Jamais erguem taças ao luar para brindar a vigorosa lua, os filhos da morte burra,

Desconhecem ou jamais ouviram falar em iluminação

Apenas abrem a boca para vomitar.



Edu Planchêz

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